A Maldição do Mar por Shea Ernshaw
- há 23 horas
- 3 min de leitura
Já faz um tempo que não escrevo por aqui, resolvi retornar de modo aleatório pelos livros que li em 2026 no clube do livro. Um melhor que o outro, estamos usando e abusando do app maratona e praticando as mais diversas atividades para que juntas pudéssemos curtir ainda mais a experiência de ler mais livros.

Sobre a Autora
Shea Ernshaw é uma autora americana criada no noroeste dos Estados Unidos — uma região de costas nebulosas, florestas densas e invernos intermináveis, e isso transpira em cada página que ela escreve. A Maldição do Mar (no original, The Wicked Deep) foi seu romance de estreia, lançado em 2018, e já na largada ela entregou tudo: atmosfera pesada, personagens com camadas e aquele tipo de história que fica ecoando na cabeça dias depois que você fecha o livro.
Depois desse debut memorável, Shea também publicou Winterwood (2019) e A History of Wild Places (2021), consolidando de vez o seu lugar no universo do YA sobrenatural e dos thrillers atmosféricos. O estilo dela é inconfundível: narrativas densas, cheias de melancolia e mistério, daquelas que fazem você sentir o cheiro de água salgada e o frio da névoa enquanto lê. Ela claramente ama contar histórias onde o passado nunca fica no passado — e o resultado é sempre perturbador do melhor jeito possível.
Sinopse
Há dois séculos, três irmãs foram condenadas à morte por, supostamente, cometerem bruxaria. Pedras foram amarradas em seus tornozelos, e elas morreram afogadas nas águas profundas que margeiam a cidade.
Agora, por um breve período de tempo – a cada dia primeiro de junho até o solstício de verão –, diz a lenda que as irmãs retornam, roubando os corpos de três meninas para que, por meio deles, possam buscar sua vingança, seduzindo e afogando meninos até a morte.
Como muitos habitantes locais, Penny Talbot conhece a lenda de cor. Mas, neste ano, quando a cidade se prepara para o anual retorno das irmãs, um rapaz desconhecido, Bo Carter, chega à cidade buscando suas próprias respostas. E Penny o acolhe.
Mas quando corpos de meninos locais começam a aparecer no litoral, o clima de desconfiança e medo atinge a cidade, dando início a uma verdadeira caça às bruxas.
A narrativa alterna os eletrizantes eventos do presente com relatos do diário das jovens condenadas por bruxaria, resultando no thriller sobrenatural inesquecível que é A Maldição do Mar.

Agora vamos ao que interessa, o que eu achei:
ÓBVIO que eu amei a leitura. No clube do livro me venderam como um gênero de terror e eu bati o pé afirmando que não ia ler, mas me rendi completamente e adorei cada segundo que li. No final estava torcendo pra vilã? Sim. Fui enganada dentro da minha própria cabeça? SIM TAMBÉM. Mas favoritei a leitura.
O que a Shea Ernshaw faz nesse livro é quase uma traição afetiva literária, ela te coloca do lado de quem você, logicamente, não deveria estar, e você vai junto sem nem perceber. A construção da Penny é muito bem feita: ela tem camadas, contradições, e uma voz narrativa tão absurdamente cativante que você literalmente esquece de questionar certas coisas que deveriam levantar red flags gigantes. Aí quando você percebe o que aconteceu, já é tarde demais. Você já estava do lado errado e, honestamente? Não se arrepende nem um pouco.
A alternância entre o presente e o diário das irmãs condenadas é outro ponto alto. Eu esperava que as partes do passado fossem mais lentas, mais cansativas mas NÃO FORAM. Elas são apaixonantes. Você entende cada escolha que foi feita, cada rancor que ficou guardado por duzentos anos, e aí a história de "terror" começa a parecer muito mais com uma história de injustiça. É incômodo da melhor forma possível.
A ambientação também merece um parágrafo só pra ela. A cidade costeira, o nevoeiro, o frio do oceano.... Tudo isso cria uma atmosfera que você quase consegue sentir na pele. Shea sabia exatamente o que estava fazendo quando escolhia cada detalhe do cenário, e o resultado é visualmente (e emocionalmente) muito rico.
A Maldição do Mar é mais thriller sobrenatural do que terror puro, tem romance, tem mistério, tem reviravoltas que você não vê chegando, e tem uma reflexão bem interessante sobre julgamento, vingança e como as histórias são contadas dependendo de quem sobrevive pra contá-las.
É rápido, é viciante, e no final você vai ficar ali, olhando pro teto, repensando tudo.
Nota: ⭐⭐⭐⭐⭐
Até a próxima resenha!




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